| Júlio
César
agosto/2002
Júlio
César Cortez, 29 anos, é
o novo guitarrista do Officina. O cara já tem muita experiência
com bandas e é uma verdadeira enciclopédia musical. Com vocês
um pouco das opiniões do nosso novo integrante.
Foca - Primeiro conte a sua trajetória no rock potiguar? Júlio - Rapaz, comecei tocando em 89 em festivais de colégio em especial no Marista. Meio que de brincadeira formamos o Aviso Prévio nesse mesmo ano. Depois, toquei com o Groisman em 94 e finalmente formamos o Ravengar em 97. Depois disso toquei baixo na primeira formação do Officina e agora estou de volta, só que desta vez assumindo uma guitarra. Foca -Antes de aceitar o convite para entrar na banda você ficou meio reticente porque era baixista e foi convidado para assumir a guitarra. Como foi esse mudança ? Júlio - A diferença básica é na pegada. Com o baixo você pode tocar mais pesado e com menos precisão. A grande dificuldade é essa: a de ter que mudar a pegada e tocar de forma mais exata. A experiência está sendo ótima e aos poucos você vai descobrindo detalhes aqui e ali e a coisa vai fluindo. Dá para acrescentar muito ainda. Foca - Como foi para você entrar no Officina, agora que já passou os primeiros shows e ensaios? Júlio - Você fica colocando um monte de critérios antes. Se vai conseguir tocar, se vai aguentar o rojão, até pelo lado físico mesmo, porque a gente já não é nenhum garotão. Mas como estou rodiado de amigos fico com mais segurança. A gente tem condições de testar certas coisas que não teria com um pessoal desconhecido. A coisa mais importante que me fez aceitar o convite é estar tocando do lado de amigos, pessoas que eu conheço a mais de 10 anos. Foca - Faça em comparativo entre ver os shows do Officina de fora e agora tocando com a gente? Júlio - Quando você é público você nunca vê da mesma maneira o trabalho. Quando você está na banda tudo passa a ter importância, o palco, as letras, as músicas, a reação da platéia. E acho que a coisa mais importante que uma banda tem que ter é público e o Officina tem uma galera cativa que está em todos os lugares. Isso foi o que mais me chamou atenção. E agora a gente enxerga com outra ótica as coisas que estão sendo feitas. Foca - Enquanto platéia, quais eram os pontos positivos e negativos do Officina para você? Júlio - O ponto mais positivo é sem dúvida a força das músicas dos dois discos. As coisas negativas, a banda já trabalha bastante que é a movimentação de palco. Cada situação requer uma ou outra atitude e acho que isso é um trunfo. Foca - A sua experiência com a guitarra começou numa pré-produção do próprio Officina. Como você está vendo o processo de composição do terceiro disco? Júlio - Acho que quando você se cerca de pessoas boas a coisa flui naturalmente. A pré-produção dos discos do Officina é um verdadeiro encontro de amigos como Solano (Braws), João Saraiva (Jane Fonda) e Jefferson (Base Livre). Isso é primordial para o trabalho porque você discute as idéias e tem mais possibilidade de fazer algo bem positivo. A pré-produção desse terceiro disco está de vento em polpa e o leque de canções vai possibilitar uma escolha melhor do set final do CD. Foca - Das músicas novas, quais as que você destaca? Júlio - "Agora e Sempre" que é linda, tem uma melodia maravilhosa, "É Fácil de Encontrar" é uma ótima música e funcionou muito no MADA. Destaco também um reggae chamado "Chutando Areia" que também é muito forte. O mais interessante é que essas músicas são muito diferentes uma das outras e essa deve ser a tônica do próximo CD. Foca- Essa diversificação, como você vê isso? Júlio - Influências diferentes causam trabalhos dinâmicos e variados. É difícil ter uma coisa uniforme nesse nível. Acho que na verdade essa diversidade enriquece muito o trabalho do Officina. Foca - O que você acha que tem que ser feito para Ter uma cena de rock em Natal? Isso é possivel? Júlio -Cena em Natal eu acho difícil. A cidade não tem essa caracteristica e não tem um grupo de pessoas que tenham um objetivo em comum. Os objetivos são individuais. Querer ter uma cena como a de Recife há um tempo atrás é muito difícil. A gente tem festivais aqui que são fortes, com datas nacionais, mas as bandas em si não tem essa urgência de querer se unir e subir os degraus todo mundo junto. As ações são mesmo individuais. São pouquíssimas as bandas que tentam ajudar as outras. Foca - O que você faria para mudar esse quadro? Júlio - Acho que todos tem que formar público, sem ele fica difícil qualquer outra coisa. Banda é igual a político, tem que ter representatividade para conseguir tocar e mostrar o seu trabalho. Acho que um boa sugestão seriam shows intinerantes em colégios, praias e outros locais que não seja só no circuito de bares. O Officina já tem um projeto assim e estamos trabalhando para efetivá-lo o quanto antes. Foca - E o trabalho do Officina que mescla músicas autorais com covers, como voce vê isso? Ajuda a formentar platéias? Júlio - Acho que a música autoral você tem que ter. O importante é você ceder na hora certa para poder avançar num outro momento. As pessoas que não concordam com esse tipo de trabalho precisam se lembrar que tudo o que já foi produzido pelo Officina até agora é financiando exclusivamente pelos shows que a banda faz. Então se você toca num aniversário com um set só de covers isso tem um motivo claro, financiar o seu trabalho autoral, compra de equipamentos, dar retorno financeiro e por aí vai. Mas para quem quer ter um trabalho sério é muito importante ter um bom set autoral. Foca - Quais os planos daqui pra frente? Júlio - Preciso comprar meu material que ainda está faltando muita coisa. Porque eu quero mesmo é tocar. Já fazem três anos que eu não toco frequentemente e preciso ganhar ritmo. No mais é isso, diversão com responsabilidade. Foca - Officina para você é o quê? Júlio - Uma banda de
amigos querendo divertir mais amigos!
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Marcelo Camelo
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Jomardo Jomas
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Soninha
(ex-VJ da MTV )
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Renato L (DJ
e co-fundador do movimento Mangue)
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