Jomardo Jomas
maio/2001
 
Jomardo Jomas

     O Festival MADA, Música Alimento da Alma, chega em sua terceira edição. Com mais respaldo da mídia especializada nacional e com melhor estrutura, o festival promete render bons frutos para a música potiguar neste ano. E foi com Jomardo Jomas, produtor do evento, que nós tivemos uma conversa para explicar melhor como vai ser o festival e contar um pouco da sua história. 
     Com vocês tudo sobre o MADA 2001.

Anderson Foca - Qual foi a primeira idéia de construir um festival como o MADA?

Jomardo - Em 98, nós trouxemos para Natal o programa Palco MTV da emissora MTV. Naquela época, sentiu-se a necessidade de se fazer algo maior. Foi então que pensamos em fazer um festival por que estava nascendo uma cena forte aqui. Daí foi fulminante por que nada é melhor do que um festival para se mostrar uma cena.

Anderson Foca - Como você vem sentindo a evolução do festival depois de três anos?

Jomardo - O festival cresceu muito. Na verdade, eu não tinha está pretensão de que o evento ficasse tão forte, como está se falando. Inclusive tendo destaque na mídia nacional e local. A idéia do 1º festival era única e nós não tínhamos a pretensão de fazê-lo todos os anos. Aconteceu que a repercussão foi muito positiva, inclusive da segunda edição que se deu literalmente de baixo de chuva e teve uma cobertura da mídia especializada muito grande.

Anderson Foca - Essa cobertura causou curiosidade das bandas e de outros meios de comunicação. De onde você recebeu material das bandas para participação no evento?

Jomardo - De praticamente todos os estados brasileiros e até de fora do país. Só não recebi "demos" do Amazonas, Acre e Roraima. De resto, todo o Brasil participou da seleção.

Anderson Foca - Quem está vindo para cobrir o MADA 2001?

Jomardo - Temos a Folha de São Paulo, O Globo e O Estadão. De TV temos o Caderno Teen (TVE) que gravará um longa metragem englobando festivais alternativos de todo o país. O MADA vai entrar junto com o Rec Beat, Abril Pro Rock e o Porão do Rock neste vídeo. Vem ainda as revistas ShowBizz e  Rock Press.

Anderson Foca - E gravadoras, quem estará por aqui?

Jomardo - Confirmados temos Carlos Eduardo Miranda da Trama, Bruno Batista da Sony, Felipe Lerena da Nikita Records, Cláudio Silveberg da ST2, Marco Lira de EMI.

Anderson Foca - E a cena potiguar? Você acha que ela está preparada para tudo isso?

Jomardo - A cena está excelente, nos últimos tempos tem aparecido muita coisa legal. Acho que as bandas locais ganharam força com o público lotando shows e prestigiando o que se faz aqui. O MADA deu uma ajuda nisso, por que incentiva a produção e acaba dando continuidade as bandas. De 98 para cá foram criadas outras bandas e o pessoal já se preocupa em participar do festival. Acho que este ano a gente emplaca umas duas ou três bandas com certeza.

Anderson Foca - É essa a sua crença? Você acha que as gravadoras estão vindo realmente para fazer novas contratações?

Jomardo - Se a gente analisar bem, nós vamos perceber uma mudança no mercado. Os estilos mais populares tem dado uma caída grande nas vendas. Eu acho que a tendência do mercado é se uniformizar e conseguir manter um espaço para todas as manifestações musicais.

Anderson Foca - Houve alguns encontros de gravadoras independentes e artistas ultimamente no sul do país. Nestes encontros foram colocados muitos aspectos do mercado e dentre eles a regionalização do comércio de CDs. O que você acha disso?

Jomardo - É como eu disse. A tendência é essa, é abrir todos os espaços. Acho inclusive que seria uma grande sacada as gravadoras investirem nesta regionalização com orçamentos mais baixos e depois apostar nacionalmente nos artistas que se destacassem em sua região. Isso manteria uma vendagem razoável para as gravadoras e incentivaria ainda mais a produção artística nas mais diversas regiões do país.

Anderson Foca - E aí? Confirme para gente todas as bandas que vão participar do MADA deste ano.

Jomardo - Vamos lá:

Quinta17/18
   Renata Gebara(RJ)
   Delta 9 (RN)
   Alfândega(RN)
   Pau de dá em doido(PB)
   Sangueblues(RN)
   Mad Dogs(RN)
   Cabruera(PB)
   Philipe Seabra(DF)

Sexta18/05
   Peixe Coco(RN)
   Officina(RN)
   Detonautas Roque Clube(RJ)
   Lunik(PB)
   Leela(RJ)
   Embolafunk(RN)
   Brigite Beréu(RN)
   Sonic Junior(AL)

Sábado 19/05
   Deadly Fate(RN)
   Parolé(RN)
   AR-15(RN)
   Girassois em Fuga(RN)
   Escurinho(PB)
   Canelas de Cachorro(DF)
   Sem Destino(DF)
   General Junkie(RN)
 

Anderson Foca - Como vai ser a estrutura do festival para este ano?

Jomardo - O evento em si está muito bem estruturado para este ano. A segurança vai ser reforçada, um grande circo vai ser armado para que não aconteça como no ano passado, que a chuva acabou atrapalhando o andamento do evento. Além disso, será armado dois palcos para que tenha agilidade de uma banda para outra. O Blackout vai ser utilizado como camarim para os jornais e TVs. O que nós precisamos é mostrar para o público local que o MADA é um grande evento para cidade.

Anderson Foca - Festivais como o Abril Pro Rock começaram com atrações de pequeno porte e acabaram revelando muita gente como o Skank, Gabriel, O Pensador, Los Hermanos, Mundo Livre e Nação Zumbi. Hoje o Abril Pro Rock é conhecido pelas grandes atrações. É sua intenção com o MADA fazer isso também?

Jomardo - Podemos até trazer uma banda de grande porte para o festival, mas ela é quem vai ter que se adequar as condições do festival. Isso vai botar essas bandas no mesmo patamar das que estão começando e acaba sendo uma comparação interessante, já que todos estariam nas mesmas condições. A quantidade de atrações grandes nunca vai ser superior a 10% das bandas pequenas, isso eu prometo!

Anderson Foca - Esta é a pergunta que não quer calar. Se você fosse de uma grande gravadora, em quem você apostaria no festival deste ano?

Jomardo - Olha, eu não vou citar nomes aqui de Natal por que eu não estaria sendo ético. Mas, pelo menos 4 banda daqui tem chance para o grande mercado. De fora eu destaco o Leela do Rio de Janeiro, o Sem Destino e o Canelas de Cachorra de Brasília e o Lunik de João Pessoa.

Anderson Foca - As bandas de Natal tem um pouco de frustração por não terem espaço no Abril Pro Rock, e se comenta que a não inclusão de bandas de Recife no festival seria o troco. Existe bairrismo de ambas as partes?

Jomardo - Só para gente deixar claro. Não tenho nada contra o Abril Pro Rock e a cena de Recife. O problema é que o pessoal da seleção não achou algo representativo vindo de lá e só. A única cantora pernambucana convidada era a Mônica Feijó e ela cobrou um cachê que nós não poderíamos pagar. No mais não há bairrismo, pelo menos daqui para lá. Agora, de lá para cá não dá para gente saber...

Anderson Foca - Recado final para todo mundo que vai participar do festival.

Jomardo - Digo a eles que fico!! (risos). É duro fazer este festival, rapaz. Este recado vai para as bandas: ensaiem, façam um super show e representem bem nosso Estado. Quero também dar um recado para galera: essa coisa de abrir e fechar o festival independe por que o que importa é o som que você faz. A mídia está aí para assistir a todo mundo.


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